Emissões industriais — inventário de gases de efeito estufa
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Inventário GHG: 6 passos para o seu primeiro escopo 1, 2 e 3

Empresas brasileiras de médio e grande porte estão sendo cobradas — por clientes, investidores e órgãos reguladores — a publicar seu inventário de gases de efeito estufa (GHG). A boa notícia: o método é bem definido e replicável. A má: a maioria dos primeiros inventários falha em rastreabilidade, deixando a empresa exposta a auditoria.

Este é o passo a passo que aplicamos na BioEmerge para inventários que aguentam revisão externa, baseado no GHG Protocol Corporate Standard e adaptado à realidade tributária e energética brasileira.

Passo 1 · Definir limites organizacionais

Antes de medir qualquer coisa, defina o que está dentro do inventário. Há duas abordagens consagradas:

Recomendação

Para o primeiro inventário, escolha controle operacional. Reduz ambiguidade e simplifica auditoria.

Passo 2 · Mapear escopos 1, 2 e 3

Os três escopos são:

  1. Escopo 1 — emissões diretas. Combustão em caldeiras, frota própria, vazamentos de gases refrigerantes, fugitivas de processo.
  2. Escopo 2 — emissões indiretas de energia comprada. Eletricidade da rede, vapor, calor.
  3. Escopo 3 — outras emissões indiretas na cadeia de valor. Viagens de negócio, deslocamento de funcionários, transporte de insumos, uso do produto vendido, fim de vida.

Passo 3 · Coletar dados primários

Aqui mora 70% do esforço. Para cada fonte mapeada, levante:

"Inventário sem rastreabilidade de dado primário não sobrevive a uma auditoria sequer um pouco rigorosa."

Passo 4 · Aplicar fatores de emissão

Use fatores oficiais e atualizados:

Passo 5 · Consolidar e validar

Calcule emissões em tCO₂e (toneladas de CO₂ equivalente) por escopo, fonte e unidade operacional. Antes de publicar, faça três checagens:

  1. Comparação ano contra ano (variações maiores que 20% precisam de explicação documentada);
  2. Benchmark setorial (suas emissões/faturamento estão na ordem de grandeza do setor?);
  3. Revisão cruzada por outra pessoa que não levantou os dados originais.

Distribuição típica de emissões por escopo em empresas de médio porte (ilustrativo)

Escopo 1 Escopo 2 Escopo 3 (cadeia) Total
Emissões acumuladas (tCO₂e)

Passo 6 · Publicar e planejar a próxima safra

Publique o inventário em formato GHG Protocol (ou no Programa Brasileiro GHG Protocol, com selo). Já no relatório, indique:

Inventário sólido é a porta de entrada para crédito verde, contratos com grandes clientes que cobram ESG e participação em programas de neutralização. Tratar como projeto técnico — e não como exercício de marketing — é o que diferencia.

Aprofundando o tema

A metodologia de referência para inventários corporativos de gases de efeito estufa é o GHG Protocol Brasil, adaptação nacional do padrão internacional adotado pela maioria das empresas que reportam emissões.

Dados setoriais de emissões no Brasil, usados como referência de comparação (benchmarking), são publicados pelo SEEG — Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa.

Um inventário robusto é pré-requisito para acessar créditos de carbono e para compor o relatório de sustentabilidade da empresa.

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Fontes e referências

  1. GHG Protocol Brasil — ghgprotocolbrasil.com.brorg
  2. SEEG — Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa — seeg.eco.brorg