Toda vez que uma empresa fala em "reduzir sua pegada de carbono", "neutralizar emissões" ou "compensar carbono", ela está falando, no fundo, de uma coisa muito concreta: Gases de Efeito Estufa (GEE). Entender o que são esses gases e como o mercado os mede — pelo GHG Protocol — deixou de ser assunto de especialista em clima para virar exigência de investidor, banco, cliente corporativo e, cada vez mais, de lei.
Neste guia, explicamos de forma direta o que são os GEE, como funciona a metodologia de contabilização mais usada no mundo e por que isso já afeta o dia a dia de empresas de todos os portes no Brasil.
O que são os Gases de Efeito Estufa
Os GEE são gases que retêm calor na atmosfera, intensificando o chamado efeito estufa e o aquecimento global. Os principais monitorados por acordos internacionais e pela legislação brasileira são:
- CO₂ (dióxido de carbono) — o mais relevante em volume, ligado à queima de combustíveis fósseis e ao desmatamento.
- CH₄ (metano) — pecuária, aterros sanitários e produção de petróleo e gás.
- N₂O (óxido nitroso) — uso de fertilizantes nitrogenados e processos industriais.
- HFCs, PFCs, SF₆ e NF₃ — gases industriais usados em refrigeração, eletrônicos e isolantes elétricos, com potencial de aquecimento muito superior ao do CO₂.
Como cada gás retém calor de forma diferente, o mercado converte tudo para uma unidade comum: o CO₂e (dióxido de carbono equivalente), calculado a partir do Potencial de Aquecimento Global (GWP) de cada gás. É esse número — em toneladas de CO₂e — que aparece nos relatórios de sustentabilidade e nos créditos de carbono.
De onde vêm as emissões no Brasil
O perfil brasileiro de emissões é diferente do resto do mundo: enquanto a maioria dos países emite principalmente por energia e indústria, no Brasil os setores de agropecuária e mudança de uso da terra e florestas (desmatamento) respondem historicamente pela maior fatia do total — o que torna o trabalho de regularização fundiária, CAR, PRAD e restauração florestal parte direta da agenda climática, e não só da agenda ambiental.
O que é o GHG Protocol
O GHG Protocol é o padrão metodológico mais utilizado no mundo para medir e reportar emissões de gases de efeito estufa. Desenvolvido pelo World Resources Institute (WRI) em parceria com o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), ele serve de base para o Programa Brasileiro GHG Protocol, referência nacional para inventários corporativos de emissões.
Sua principal contribuição foi organizar as emissões de uma empresa em três escopos, criando uma linguagem comum entre empresas, investidores e reguladores.
Os três escopos de emissão
- Escopo 1 — Emissões diretas: geradas por fontes que a própria empresa possui ou controla — frota de veículos, geradores, caldeiras, processos industriais e emissões fugitivas.
- Escopo 2 — Emissões indiretas de energia: ligadas à eletricidade, vapor ou calor comprados de terceiros e consumidos pela empresa.
- Escopo 3 — Outras emissões indiretas: toda a cadeia de valor — fornecedores, transporte terceirizado, viagens corporativas, uso e descarte dos produtos vendidos.
Por que medir isso agora é estratégico
Três forças convergem para tornar o inventário de GEE uma prioridade imediata, e não uma pauta de longo prazo:
- Regulação: o Brasil já tem o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), instituído pela Lei nº 15.042/2024, que passa a exigir monitoramento e, futuramente, licenças de emissão para setores regulados.
- Reporte financeiro: normas como o IFRS S2 já cobram divulgação de riscos e emissões climáticas em relatórios financeiros de companhias de capital aberto e suas cadeias.
- Mercado: bancos, investidores e grandes clientes corporativos passaram a exigir inventários de GEE como critério de crédito, contratação e certificação — inclusive de fornecedores de médio e pequeno porte.
Do inventário à ação
Medir é o primeiro passo — mas o valor real está no que vem depois: metas de redução, eficiência energética, substituição de fontes fósseis e, quando a redução direta não é suficiente, projetos de compensação via créditos de carbono no mercado regulado. Se sua empresa ainda não fez o primeiro inventário, o próximo passo prático é o nosso guia Inventário GHG: 6 passos para o seu primeiro escopo 1, 2 e 3.
Na BioEmerge, estruturamos inventários de emissões alinhados ao GHG Protocol, com apoio na definição de metas de mitigação e no desenvolvimento de estratégias de compensação — parte da nossa consultoria em sustentabilidade e ESG.
Sua empresa já sabe quanto emite?
A BioEmerge estrutura inventários de GEE alinhados ao GHG Protocol, do escopo 1 ao 3.
Fontes e referências
- GHG Protocol — Corporate Accounting and Reporting StandardWRI / WBCSD
- Programa Brasileiro GHG Protocol — Metodologia e ferramenta de cálculo nacionalFGV / CEBDS
- Governo Federal — Lei nº 15.042/2024, institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE)Legislação
- IPCC — Relatórios de Avaliação sobre Mudança do ClimaIPCC