O levantamento de fauna é o diagnóstico que identifica, registra e quantifica as espécies animais presentes em uma área de estudo. É componente obrigatório em estudos de impacto ambiental (EIA/RIMA), planos de manejo, PBAs e projetos de supressão — e exige metodologias específicas para cada grupo taxonômico.
Grupos taxonômicos amostrados
Um levantamento faunístico completo abrange: mastofauna (mamíferos), avifauna (aves), herpetofauna (anfíbios e répteis), ictiofauna (peixes, quando há corpos d'água) e entomofauna (insetos bioindicadores). Cada grupo demanda métodos e esforço amostral próprios, com campanhas distribuídas nas estações seca e chuvosa para capturar sazonalidade.
Metodologias por grupo
Mastofauna: armadilhas fotográficas (camera traps), armadilhas de interceptação e queda (pitfall), busca ativa, rastros e vestígios. Avifauna: pontos de escuta (point counts), redes de neblina (mist nets), listas de Mackinnon e transectos. Herpetofauna: busca ativa diurna e noturna, armadilhas de interceptação com baldes, encontros visuais e auditivos. Ictiofauna: redes de espera, tarrafas e pesca elétrica em corpos d'água.
A IN IBAMA 13/2013 recomenda mínimo de 2 campanhas (seca e chuvosa), com 5 dias efetivos de amostragem cada. Para avifauna, são necessários no mínimo 80 pontos de escuta por campanha em áreas acima de 100 ha.
Análise de dados e entregáveis
Os dados de campo são processados com índices ecológicos: riqueza de espécies (S), diversidade de Shannon (H'), equitabilidade de Pielou (J) e curva de acumulação de espécies. O relatório inclui lista de espécies com status de conservação (IUCN, MMA, listas estaduais), registros fotográficos, mapas de ocorrência e análise de sensibilidade ambiental. Espécies ameaçadas, endêmicas ou migratórias recebem tratamento especial.
Monitoramento continuado
Em projetos com condicionantes de longo prazo, implementamos programas de monitoramento de fauna com campanhas semestrais ou anuais. Os dados são comparados com a linha de base (levantamento inicial) para avaliar impactos reais e efetividade das medidas mitigadoras. O monitoramento é obrigatório em licenças de operação (LO) de empreendimentos com impacto significativo sobre biodiversidade.
Aprofundando o tema
A coleta e o manejo de espécimes de fauna silvestre para fins de pesquisa dependem de autorização no SISBIO, sistema do ICMBio que credencia pesquisadores e define os limites da atividade em campo.
Nos casos em que o levantamento envolve espécies cinegéticas ou de interesse para conservação, a interlocução técnica também passa pelo IBAMA, responsável pela fiscalização federal de fauna silvestre.
Este estudo é normalmente contratado junto com o diagnóstico de espécies ameaçadas e nossos laudos técnicos de licenciamento.
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Fontes e referências
- ICMBio — SISBIO, Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade — www.gov.br/icmbio/pt-brgov.br
- IBAMA — Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — www.gov.br/ibama/pt-brgov.br
