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Novo Congresso terá sete em cada dez parlamentares desalinhados da agenda ambiental

Passada a eleição de 4 de outubro, já dá para medir o perfil ambiental do Congresso que toma posse em fevereiro de 2027. Uma análise divulgada pelo Observatório do Clima e noticiada pela Agência Brasil aponta que sete em cada dez parlamentares eleitos para a 58ª Legislatura (2027–2031) têm baixa ou muito baixa convergência com as pautas de clima e meio ambiente.

Para quem trabalha com licenciamento, regularização rural ou gestão ambiental em empresas, o número não é só um dado político: ele sinaliza quais regras podem mudar nos próximos quatro anos e quanto de instabilidade normativa vale considerar no planejamento.

Como o índice foi medido

A análise usa um índice de convergência ambiental, que compara votos e atuação de cada parlamentar com as posições defendidas pelas organizações do setor em temas de conservação, mudança do clima e adaptação das cidades. A metodologia é do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), com dados da plataforma Farol Verde e de fontes oficiais da Câmara, do Senado, de assembleias legislativas e de governos.

O retrato do novo Congresso

Somadas as duas Casas, 409 dos 594 parlamentares (68,9%) ficaram nas faixas de convergência baixa ou muito baixa. Os outros 185 (31,2%) aparecem com convergência boa ou muito boa.

Parlamentares com convergência ambiental baixa ou muito baixaFonte: Observatório do Clima / IDS
Senado79% (64 de 81)
O desalinhamento cresceu em relação à legislatura atual: de 58 para 64 senadores. Apenas 17 ficaram nas faixas boa ou muito boa.
Congresso (total)68,9% (409 de 594)
201 parlamentares (33,8%) com convergência muito baixa e 208 (35%) com convergência baixa.
Câmara dos Deputados67,3% (345 de 513)
Na outra ponta, 128 deputados (25%) aparecem com convergência muito boa e 40 (7,8%) com convergência boa.

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As faixas do índice seguem o percentual de alinhamento de cada parlamentar com a agenda avaliada:

Faixas do índice de convergência
FaixaAlinhamentoParlamentares eleitos
Muito baixa0 a 25%201 (33,8%)
Baixa26 a 50%208 (35%)
Boa51 a 69%52 (8,75%)
Muito boa70 a 100%133 (22,4%)

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A análise também registra o crescimento do Partido Liberal (PL), que passa de 15 para 28 cadeiras no Senado (34,6% da Casa) e de 98 para 121 deputados na Câmara (23,6%).

"Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática."Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima

Na avaliação da entidade, o cenário aponta para enfraquecimento da atuação dos órgãos ambientais, risco de anistia a grileiros e redução da proteção a florestas e biomas.

O que isso significa para quem precisa se regularizar

Independentemente da leitura política, uma consequência prática é previsível: regras ambientais tendem a mudar com mais frequência. Projetos de lei sobre licenciamento, Código Florestal, agrotóxicos, mercado de carbono e regularização fundiária costumam voltar à pauta a cada legislatura — e mudanças federais demoram a ser absorvidas por estados e municípios.

  1. 01

    Flexibilização federal não apaga a norma estadual

    Em São Paulo, CETESB, SP Águas e GRAPROHAB seguem legislação própria. Uma regra federal mais branda não dispensa automaticamente a exigência estadual.

  2. 02

    O mercado continua cobrando

    Bancos, compradores internacionais e investidores mantêm exigências socioambientais próprias, inclusive para crédito rural e exportação.

  3. 03

    Leis mudam, passivos ficam

    Responsabilidade civil por dano ambiental não prescreve e acompanha o imóvel. Adiar a regularização à espera de anistia é aposta arriscada.

  4. 04

    Insegurança jurídica tem custo

    Normas que mudam e são contestadas no Judiciário geram idas e vindas em processos. Documentação técnica sólida resiste melhor a essas oscilações.

É a mesma lógica do compliance ambiental: quem estrutura a conformidade com base técnica e acompanha as mudanças normativas consegue se adaptar sem paralisar a operação. E é por isso que a análise de materialidade ESG das empresas costuma incluir o risco regulatório como tema relevante.

Acompanhar, não adivinhar

Nenhum projeto de lei vale como regra antes de sancionado e regulamentado. Até lá, valem as normas em vigor. A recomendação é acompanhar a tramitação e ajustar processos só quando as mudanças forem efetivas.

Regras mudando? Sua regularização não precisa parar.

Acompanhamos as mudanças normativas e mantemos licenças, outorgas e CAR em dia, com base técnica que resiste a idas e vindas.

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Fontes e referências

  1. Agência Brasil — Congresso terá sete em cada dez parlamentares contra agenda ambiental (Fabíola Sinimbú)Agência Brasil
  2. Observatório do Clima — Análises sobre política climática e ambientalObservatório do Clima
  3. STJ — Súmula 623: obrigações ambientais acompanham o imóvel (propter rem)Superior Tribunal de Justiça
  4. Câmara dos Deputados — Acompanhamento de proposiçõesCâmara
  5. Senado Federal — Acompanhamento de matériasSenado